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No coração da Floresta – Um conto da saga de fantasia “A Irmandade dos Párias”


No coração da Floresta – Um conto da saga de fantasia “A Irmandade dos Párias”

Olá, pessoal !

Publico abaixo o conto “No Coração da Floresta” no universo da saga de fantasia “A Irmandade dos Párias”.

Nesse conto, as personagens principais são as Feiticeiras do Alvorecer, que são apresentadas no primeiro capítulo do livro 1, Provação.

Elas vão se deparar com um perigo mortal na Floresta Negra e vários elementos da saga estão presentes neles, embora seja apenas um spin off.

Espero que gostem!

Um abraço,

lélio

##### Os eventos narrados neste conto se passam trezentos anos antes do capítulo inicial do livro 1 (Provação) da saga “A Irmandade dos Párias” #####

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No Coração da Floresta

A neblina tomava grande parte da floresta de olmos, nogueiras e carvalhos. Ainda estava escuro quando Bertha se levantou e chegou na porta da pequena cabana. Um dos seus cães, Harold, se aproximou e lambeu carinhosamente seus pés. Bertha sorriu levemente e olhou lá para a floresta, que rodeava a cabana. Estava tudo escuro e ela só conseguia ouvir o som dos animais na floresta.

Um som agudo estridente cruzou a floresta e lhe chamou a atenção. Bertha se apoiou numa cadeira velha, que estava na varanda, e se concentrou em tentar decifrá-lo.  

Bertha fechou os olhos e sua consciência viajou pela floresta. Seu espírito fluiu através da mata fechada, campos, penhascos, nuvens, cataratas e ela focalizou, então, os animais.

E começou pelas corujas.

Bertha sabia que os animais da floresta haviam presenciado algo. Ela visitou a consciência de centenas e até milhares de pequenas corujas, bufos reais, corvos, gralhas e gaviões. Mesmo no escuro, eles estavam agitados com a proximidade do alvorecer. E eles ali, presenciaram o que ocorria na floresta.

Os lábios de Bertha tremiam na varanda gelada, enquanto a sua viagem continuava e murmúrios saíam de sua boca. Ela sabia que algo havia acontecido e buscou se apressar ao visitar velozmente a consciência de tantos animais.

De repente, ela abriu os olhos e sussurrou.

– Audrey….

Bertha voltou para dentro da cabana e, através de um gesto mágico, uma vela se acendeu e ela olhou para suas irmãs, que dormiam juntas no único quarto existente.  

– Levantem- se ! – disse Bertha.

Megan, Willa, Kendra e a pequena Morgana acordaram repentinamente e se levantaram. Elas sabiam que havia acontecido algo e perceberam a tensão nos olhos de Bertha.

– Audrey desapareceu… e ela precisa de nossa ajuda.

O que aconteceu ? – disse Megan, ainda sonolenta e jogando um pouco de água no rosto.

– Audrey está em perigo e temos de salvá-la. Precisamos ir atrás dela agora. Sairemos em cinco minutos. – Ela olhou para grandiosa lua vermelha lá fora e completou – Foram demônios.

Todas estremeceram ao ouvirem aquilo; umas mais e outras menos.

– A pequena Morgana vai também ? – perguntou Megan e elas olharam para a criança.

Bertha olhou para Morgana, que assistia a tudo sem manifestar nada.

– Sim, ela é uma das nossas.

As irmãs partiram para o coração da floresta, quando o sol começava a surgir no horizonte. Bertha ia na frente com sua túnica vermelha, um laço dourado e o cabelo liso com suas tranças. Bertha era clara como o luar e aparentava ser uma pessoa de paz. Até que fosse contrariada…Bertha era a líder das irmãs e sabia da importância de se manter a unidade na família. E agora Audrey estava em grande perigo.

Willa se aproximou segurando um cajado e perguntou:

– O que aconteceu ?

– Audrey foi capturada pelos Demônios de Kethorin, temíveis habitantes das profundezas da Floresta Negra e que, vindo de uma terra distante, Ideo, aqui se estabeleceram.

Até aquele episódio, não haviam se mostrado hostis à família de Bertha. Mas tudo mudou. E na Floresta Negra tudo mudava muito rápido. E quem não entendesse isso, não sobrevivia.

As irmãs atravessaram riachos e colinas, pois sabiam que não havia tempo. Após três horas de caminhada, elas chegaram a um vale de com grandes árvores. Havia algo pegajoso e negro no chão e cheiro de queimado por todo o lugar. Tudo era envolvido por uma densa neblina e as irmãs ficaram em estado de alerta máximo.

–  É o território Kethorin – vaticinou Willa – E nossa irmã está aqui.

– Também pressenti isso – disse Kendra.

– Vamos entrar – disse Megan, observada silenciosamente por Morgana, quando Bertha segurou sua mão e disse:

– Eu vou entrar e vocês esperam – Ela se voltou para Megan, arrancou um colar com um diamante e jogou para ela, que o pegou no ar.

– Se ele se iluminar, vocês entram … somente nessa situação. Se eu e Audrey não voltarmos até o meio dia, vocês devem fugir daqui. – Morgana protestou e Willa e Kendra bufaram, mas não quiseram contestar a autoridade de Bertha. Ela nem deu tempo para ninguém pensar e entrou no nevoeiro, desaparecendo imediatamente.

###

– Quem é você ? – gritou uma voz grave no meio da neblina, enquanto Bertha enrijecia os músculos da face e segurava seu cajado com força.

Se acontecesse algo, ela iria chamar suas irmãs, mas havia só um problema. Bertha gostava de resolver tudo sozinha.

– Vim buscar minha irmã, Audrey e tenho pressa… – disse Bertha.

– Pressa de quê, perguntou a voz. De repente, Bertha jogou o cajado no chão, levantou as duas mãos e uma força mágica invadiu o lugar. Um desajeitado gobblin armado com uma adaga, que estava escondido traiçoeiramente atrás de uma pedra, foi capturado pela força mágica e trazido para sua frente. Ela segurou sua cabeça e sentiu o cheiro podre em seu cabelo ralo. Bertha o segurou, olhou com frieza e não titubeou. Quebrou seu pescoço, jogando-o de lado.  Não tenho tempo para esse tipo de coisa. O gobblin caiu morto de seu lado e ela seguiu mais à frente até chegar a um grande lago.

– Vongstrom ! – gritou Bertha…..

Silêncio.

– Vongstrom !

Silêncio novamente até que…

– Ele não está aqui – disse uma grande sombra saindo detrás de um grande carvalho. O rabo balançando, as patas de bode, o olhar amarelo, os par de chifres e a pele avermelhada não deixavam dúvidas de que ele era um dos Demônios de Kethorin.

Bertha cerrou os olhos. Ela sabia que ele era provavelmente o líder e não estava sozinho.

– Minha irmã está aqui e ela vai voltar comigo…

O demônio riu.

– Sou Pressaris, líder deste clã. Você não manda aqui, bruxa suja.

– Quero minha irmã…

– Ou você vai fazer o que ? – perguntou com um traço de ironia.

– Vongstrom sabe disso ? – Bertha olhou ao redor.

– Não importa. Aqui quem manda sou eu. – Outros demônios foram saindo detrás das árvores e Bertha contou quinze.

Muitos, até para Bertha. Ela olhou ao redor e não viu Audrey.

– Cadê minha irmã ?

O demônio fez um sinal com a mão direita e Audrey foi trazida amordaçada por dois demônios menores. Ela foi jogada aos pés de Pressaris. Havia um pouco de sangue saindo de sua boca. Ela havia sido espancada. O sangue de Bertha ferveu.

Controle-se.

– Libertem a minha irmã agora…

– Ou … você vai nos matar ? – riram os demônio.

– Vongstrom sabe disso ?

– Vongstrom não decide nada aqui, bruxa. Resolvemos nos apossar desta terra e não há espaço para demônios e bruxas aqui. – Ele fez uma pequena pausa – Ou seja, vocês devem morrer.

– Eu avisei a vocês.

– Vamos matar vocês duas e suas irmãs, que estão do lado de fora.

Bertha abaixou o capuz.

– Tentei proteger vocês, mas já que não acreditaram…

Mais gargalhadas de todos os demônios, que começaram a se aproximar e rodear Bertha de forma ameaçadora.

– De você ? – riu Pressaris.

Bertha sorriu.

– Não, mas dela – E apontou para o fundo, onde os demônios se aglomeravam.

– O que ? – gritou Pressaris.

– Uma criança – gritou o demônio mais ao fundo, quando de repente um grito de dor foi ouvido.

Um demônio foi incinerado, quando a criança saiu detrás do grupo com a mão levantada e usando um vestido branco e vermelho. Ela não passava de oito anos de idade se fosse uma humana. Mas ela não era humana. Era uma bruxa. E uma bruxa filha de um pai demônio.

Era Morgana, a mais poderosa bruxa de todas as Feiticeiras do Alvorecer.

Quatro demônios resolveram atacar mortalmente a criança, que levantou os braços e gritou algo incompreensível. Seus olhos ficaram vermelhos e se transformaram em duas bolas incandescentes, quando ela se virou e com um feitiço incinerou os quatro demônios, que morreram imediatamente.

Morgana se virou e viu que mais demônios partiram para cima e fez uma cara de ódio. Ninguém deve sobreviver. Um demônio tentou atingiu Morgana com um soco e ela se esquivou rapidamente com o poder de manipular o tempo. Um grande machado, que estava no chão, foi levantado com sua magia e passou na horizontal despedaçando os demônios, que haviam se aproximado. Ninguém deve sobreviver. Morgana sorriu.

Pressaris tentou acertar Bertha com um soco poderoso, mas a mão fina da bruxa escondia algo. Ela segurou o soco do demônio e girou seu braço ao contrário, quebrando-o e fazendo o demônio urrar de dor.

– Agora, Audrey ! – gritou Bertha e as duas passaram a disparar rajadas de gelo petrificante com as mãos e atingiram a maior parte dos demônios, que um a um foram se quebrando e caindo ao chão.

Pressaris agarrou Morgana por trás e tentou quebrar a sua coluna. Ela se virou e riu, quando os braços de Pressaris foram arrancados violentamente e sangue voou em seu rosto. Morgana lambeu um pouco do sangue e arrancou com sua magia as duas pernas do líder dos demônios, que gritava de dor. Audrey pegou uma lança, que estava no chão, e perfurou o peito de Pressaris, que caiu agonizante.

De repente, três árvores no local começaram a tremeluzir e as  irmãs restantes, Megan, Willa e Kendra surgiram do feitiço e passaram a avançar sobre os demônios restantes, que tentaram fugir, enquanto as bruxas voavam e terminavam a carnificina com raios mortais e despedaçando os restantes. Sangue voava para todos os lados.

Pressaris agonizava no chão, quando olhou para cima e viu as seis bruxas, que surgiram como se nada tivesse acontecido. Os vestidos brilhavam levemente no sol da manhã. Sangue saía do seu nariz e ele não conseguia mais sentir quase nada do corpo, agora todo espalhado pelo lugar.

– Vou pegar seus restos e dar para os lobos, Pressaris – disse Audrey, cuspindo no moribundo.

Morgana olhou ternamente para Pressaris, que não sabia o que era misericórdia ou perder. Ele nunca imaginaria que seis bruxas conseguiram derrotar tão facilmente quinze poderosos demônios. Ela se aproximou de Pressaris e continuou:

– Você não vai morrer, Pressaris! Vamos te mandar para o limbo e você vai sofrer para sempre por ter tramado contra as Feiticeiras do Alvorecer.

Pressaris cuspiu no rosto de Morgana, que limpou sua face, não sem antes chutar com força a cabeça do demônio.

– Bruxa suja…disse ele.

Morgana olhou para Bertha e disse:

– Mudei de idéia, Bertha. – Ela sorriu e se abaixou puxando a cabeça de Pressaris do corpo e o despedaçando em vários pedaços menores.  

As irmãs sorriram e olharam lentamente ao redor. Com a luta, árvores num raio de cem metros de extensão foram derrubadas e foi aberta uma clareira na floresta, apenas uma colina depois do grande lago.

– Bem, vamos construir a nossa casa aqui – disse Bertha olhando ao redor – Este é o lugar onde a magia se apresenta com mais força nessas terras. E nossa simulação foi o suficiente para enganar esse clã de demônios.

Willa se abaixou e pegou um pouco de lama preta, que se inflamava apenas com um feitiço pequeno. Havia traços dessa lama preta espalhados por todo o lugar.

E a força da magia naquele lugar era tremenda.

Pressaris estava certo. Não havia espaço para demônios e bruxas na floresta. Só que ele não contava com o poder das seis irmãs, que havia sido potencializado pelas forças mágicas da Floresta Negra naquele lugar.

E ninguém deve subestimar bruxas.

Nem demônios.

Foi o que o clã de Pressaris descobriu tragicamente.

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Lélio Pendragon
Sobre o autor

Lélio Pendragon é um autor de histórias de fantasia. Depois de atuar por mais de uma década na publicação de livros jurídicos, ele se dedica, na atualidade, ao desenvolvimento do site “Batalha dos Nerds” e da saga de fantasia “A Irmandade dos Párias”. Colecionador de trilhas sonoras de filmes desde 1980, o autor é inspirado fortemente pelos filmes: Star Wars, Star Trek, Senhor dos Anéis, Dragonslayer (1981), Krull (1983), Fúria de Titãs (1981), Tron (1982), Willow – na terra da Magia (1988) , Trovão Azul (1984) e A Lenda (1985).

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